Saturday, October 24, 2015

Belo Horizonte, 22 de outubro de 2015




“A vida é um mar.
A experiência humana uma embarcação .
Nós os condutores.

No mar, milhões de barcos. Uns estão isolados de todos; outros estão em conflito com outros. Uns estão parados, observando o movimento de outros barcos; outros afundam sem mesmo se aperceberem disto. Uns remam com força em diversas direções; outros se deixam levar pelo vento, enquanto assobiam melodias de canções familiares...

E a pergunta que reverbera nas paredes do coração de cada ser humano desde o primeiro pôr do sol, desde que o primeiro barco deixou o primeiro rastro na areia em direção ao incerto, em direção a territórios não mapeados é:

Existe algo além do que nossos olhos hoje podem ver?
Existe um lar do outro lado deste mar?
Existe... mais?

Hoje nossos barcos se encontram neste espaço, que tudo que ocorra aqui não seja uma resposta, mas um alento, um descanso, ao esperarmos o tempo responder cada pergunta que carregamos conosco nesta jornada. O risco é nos perdermos nas perguntas. Na utopia é fácil esquecer-se da realidade. Uma é a vida e sete são os mares. Hoje temos a escolha do que fazer com o fôlego que nos foi dado...

É a escolha que nos dá a oportunidade de retornar ao mar ou pôr fogo na embarcação, queimar os navios. Deixar nossa vida de lado ao entrar mata a dentro em terras em que a ganância reina, onde o sangue do justo é derramado, e o respeito à vida deturpado. Já dizia o mestre que passou por esta mesma trilha: aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua... achá-la-á.”


Os Arrais